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Politica internacional

  • Laboratórios só produzem com 30% da sua capacidade instalada no país, diz associação. Funcionária de farmácia em Caracas atende clientes com as prateleiras praticamente vazias, em imagem de janeiro de 2016 Reuters/Carlos Garcia Rawlins Venezuelanos que enfrentam a escassez de medicamentos em seu país aguardam com ansiedade o desfecho do braço de ferro entre o presidente Nicolás Maduro e o líder da oposição, Juan Guaidó, sobre a entrega da ajuda humanitária que está na fronteira da Venezuela. Pacientes e profissionais da área da saúde falaram ao G1 sobre a situação crítica do sistema de saúde. Alvo de sanções internacionais, o governo compra remédios no exterior e bloqueia a entrada da ajuda. “Deus queira que essa ajuda humanitária entre. A nossa situação é crítica, é horrível. Está cada vez pior. O governo não quer, mas estamos precisando muito. Não temos remédios”, afirmou a aposentada Maria, de 60 anos, que sofre de retrocolite ulcerosa. A doença crônica que atinge o intestino provoca várias complicações caso não receba tratamento adequado, como perda de peso e aparecimento de feridas pelo corpo. A crise econômica enfrentada pela indústria farmacêutica no país explica em parte o problema das prateleiras vazias nas farmácias. Em um contexto de inflação galopante – que superou 1.000.000% em 2018— e de desvalorização do bolívar, os laboratórios não conseguem comprar matérias primas e atualmente trabalham em média com cerca de apenas 30% da sua capacidade instalada, de acordo com a Câmara da Indústria Farmacêutica (Cifar). Nicolás Maduro em evento em que anunciou chegada de ajuda humanitária da Rússia, nesta segunda-feira (18) em Caracas Venezuelan Presidency / AFP “Em 2014, os laboratórios produziram 714 milhões de unidades. Existia uma grande variedade deles. De 2014 a 2018, a produção caiu 70%. No fim de 2018, produziu-se 178 milhões de unidades, mas não há variedade. O que se vê no mercado são antigripais, analgésicos e anti-inflamatórios, mas não se consegue remédios para problemas cardíacos, hipertensão arterial, diabetes, anticonvulsivos”, afirmou Tito Lopez, presidente da Cifar. O fim de um programa que permitia aos laboratórios comprar dólares com uma taxa de câmbio favorável também contribuiu para o agravamento da situação no último ano. Carlos Feo, especialista venezuelano em Saúde Pública e professor de Economia Política da Saúde, explica que o país sempre foi muito dependente do mercado internacional e o problema do desabastecimento foi intensificado devido às sanções internacionais que começaram a ser impostas pelos Estados Unidos há cerca de quatro anos. “A reduzida produção de medicamentos na Venezuela depende das matérias primas importadas, por isso, o bloqueio econômico tem sido fundamental para explicar a situação atual. Para entender a situação da saúde no país é preciso entender que estamos em guerra”, disse Feo ao G1. O professor, que se define como um “crítico a políticas econômicas e à militarização dos quadros de governo Maduro”, acredita porém que “a situação atual da saúde foi induzida como parte da guerra econômica contra a Venezuela”. Brasileiros que vivem na Venezuela falam de euforia após Guaidó se declarar presidente interino Prateleiras de remédios vazias Boletins da ONG Convite, que faz um monitoramento da saúde na Venezuela, indicam que a escassez de medicamentos permaneceu acima dos 80% durante todo o ano de 2018 em 160 farmácias visitadas na área metropolitana de Caracas, Maracaibo, Barquisimeto, Merida e Por la mar. Para elaborar o índice, a ONG leva em consideração a oferta de medicamentos para diabetes, hipertensão, infecção respiratórias agudas e diarreias. “Essa constatação é muito grave, porque diabetes e hipertensão são doenças que exigem medicação controlada. Já as infecções respiratórias agudas e as diarreias são as duas doenças que mais atingem os venezuelanos”, afirmou Luiz Francisco Cabezas, presidente da ONG convite. Uma dose de insulina a 32 mil bolívares ou uma cartela com 14 comprimidos de um remédio utilizado por hipertensos por 24 mil bolívares dão uma ideia da dificuldade para os doentes de ter acesso à medicação de uso contínuo em um país onde o salário mínimo é de 18 mil bolívares (US$ 20,9 ou cerca de R$ 77). A crise atinge também o sistema de saúde público e torna ainda mais dramática a situação de pacientes que precisam de medicação de alto custo fornecidos pelo governo. Enfermeira atende paciente com HIV e tuberculose em hospital de Caracas Reuters/Marcos Bello Juan*, um médico infectologista que acompanha centenas de soropositivos em um hospital público em Caracas, conta que a falta de antirretrovirais e remédios para combater as chamadas “doenças oportunistas” (que se aproveitam da fragilidade do sistema imunológico) tem prejudicado muito o tratamento desses pacientes. O infectologia afirma que o Ministério da Saúde não está suprindo o sistema público de saúde e "comprar esses medicamentos nas farmácias é praticamente impossível por causa dos custos atuais”. “Os exames que são muito necessários para esse grupo de pacientes, como medição da carga viral, só podem ser feitos por pacientes que tenham muito dinheiro. Assim, estamos fazendo um acompanhamento desses pacientes digna de países muito subdesenvolvidos”, afirmou o médico, que tem mais de 30 anos de experiência. “Eu me vejo na obrigação de sugerir que o paciente, se não tem como custear o tratamento ou de receber medicamentos importados, que considere a possibilidade de emigrar para países onde o acesso ao tratamento seja mais fácil do que na Venezuela”, lamentou. 'Tenho vontade de viver' Maria*, que é moradora da cidade de Cua, no estado de Miranda, no norte do país, recebeu o diagnóstico de retrocolite ulcerosa, uma doença que causa inflamação no intestino, em 2005. Porém, parou de tomar a medicação controlada que necessita há cerca de três anos, desde que a farmácia de alto custo do governo na sua região parou de fornecer os remédios. “Como o meu tratamento é muito caro, os medicamentos estavam previstos no seguro social obrigatório. Por isso, fiquei na dependência da farmácia de alto custo, mas desde mais ou menos 2016 ela não fornece mais o tratamento”, afirmou. Ela não sabe quanto custaria o seu tratamento, que inclui Mesalazina, Azulfidine, Azatioprina, além de vitaminas e ácido fólico. “Não tem medicamentos nas farmácias e tampouco temos dinheiro para comprá-los no exterior. Atualmente, a minha pensão é de 1800 bolívares. Não dá para comprar nada. Nem queijo. Um quilo de queijo está custando 7 mil bolívares e o de carne o dobro”, contou. A falta de tratamento agravada pela alimentação inadequada fez com que ela tivesse várias crises. “Eu não tenho como ter uma alimentação equilibrada. Na cesta distribuída pelo governo vem macarrão, farinha, açúcar, leite, lentilhas, atum. Por isso, eu já tive várias recaídas. Nas crises, sofro com vômito, diarreia, sangramento, perda de peso”, afirmou Maria. Em uma tentativa de conseguir ajuda para ela e outros pacientes que aguardam tratamento, ela fundou uma associação com amigos para buscar doações no exterior, a FundavEii (Fundacion Venezolana Voces Eii). “Nos enviam medicamentos para várias patologias e distribuímos em várias regiões. Hoje são 600 associados que precisam de remédios. Mas o que arrecadamos nunca dá para todos. Ninguém está fazendo o tratamento como necessita.” Apesar da saúde fragilizada, ela se sente motivada a lutar. “Tenho vontade de viver. E, se posso lutar, vou lutar. Essa é a única alternativa.” Remédios sem origem A busca por fornecedores de remédio tem aberto espaço para o aparecimento de medicamentos vendidos a granel e de origem duvidosa, principalmente em Maracaibo e Merida, que são estados próximos da Colômbia. “Esse remédio vendido ‘a granel’ é um perigo. Não se sabe quem é o fabricante. Há o risco de estarem vendendo comprimidos vencidos, que não tenham a quantidade de miligramas que o paciente tem que tomar ou que não seja simplesmente o comprimido que ele está buscando. Há muitos relatos de fraudes”, afirma Luis. Há uma semana, o governo anunciou a chegada de 933 toneladas de medicamentos e materiais médicos procedentes da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), de Cuba e da China (países aliados de Maduro) e de "algumas compras diretas" feitas pelo Ministério da Saúde, de acordo com a agência Efe. Ajuda humanitária Contêineres bloqueiam ponte Tienditas, na Venezuela Juan Barreto / AFP Nicolás Maduro se nega a aceitar a ajuda humanitária enviada pelos Estados Unidos depois que o líder da oposição se autodeclarou presidente interino para organizar novas eleições. Maduro afirma que a entrada da ajuda seria um passo para uma "invasão estrangeira". "É um show barato. Donald Trump não sabe onde fica a Venezuela. Inventaram uma suposta ajuda humanitária de uma comida podre, cancerígena e querem introduzi-la à força", disse Maduro, assegurando que o presidente americano planeja uma invasão militar ao país. Contêineres bloqueiam a ponte Tienditas, que liga as cidades de Cúcuta (Colômbia) e Ureña (Venezuela). Há relatos de que o exército venezuelano reforçou sua presença na fronteira com Roraima, onde a ajuda oferecida pelo Brasil poderia ser entregue. O Brasil está enviando até a fronteira brasileira alimentos e medicamentos para serem distribuídos para os venezuelanos a partir de sábado (23). A ajuda será transportada até Boa Vista e Pacaraima por motoristas brasileiros. A partir da fronteira os produtos deverão ser transportados por motoristas venezuelanos. Para tentar barrar a entrega da ajuda brasileira, Maduro determinou na noite de quinta-feira (21) o fechamento da fronteira com o Brasil em Pacaraima (Roraima). Após o anúncio, muitos venezuelanos correram para vir ao Brasil e comprar estoques de mantimentos. * Os nomes dos entrevistados foram alterados. Venezuelanos cruzam fronteira levando mantimentos para casa Alan Chaves/G1 RR Initial plugin text

  • Juan Guaidó quer que carregamentos cheguem sábado (23) ao país. Regime de Nicolás Maduro, porém, fechou fronteiras para impedir a passagem. Parte da ajuda humanitária enviada à Venezuela está retida na Colômbia Luisa Gonzalez/Reuters O opositor ao regime chavista Juan Guaidó fixou para sábado (23) a entrada de ajuda humanitária na Venezuela – data em que completa um mês desde que ele prestou juramento como presidente interino. Por que a ajuda humanitária entrou no foco da crise na Venezuela Nesta quinta-feira, ele partiu em caravana para a fronteira com a Colômbia, mas ainda se desconhecem os detalhes sobre como ele conseguirá garantir a passagem do carregamento de comida, remédios e itens de higiene. Abaixo, as incógnitas e certezas sobre o sábado na Venezuela: O que se sabe Sacos com ajuda humanitária enviada à Venezuela estão retidos em armazém na Colômbia Luisa Gonzalez/Reuters O principal centro de armazenamento está na cidade colombiana de Cúcuta, fronteiriça com Táchira (Venezuela). Outros dois pontos estarão no Brasil, no estado Roraima (limítrofe com o estado venezuelano Bolívar), e outro na ilha caribenha de Curaçao; Voluntários irão em caravanas às fronteiras terrestres e marítimas, e até Puerto Cabello e La Guaira; Guaidó partiu nesta quinta-feira (21) em caravana rumo à fronteira com a Colômbia - distante a 900 km de Caracas – para liderar a entrada de ajuda enviada pelos Estados Unidos; O governo suspendeu desde terça-feira de modo "indefinido" voos comerciais e privados para Curaçao, assim como as partidas de navios de todos os portos até domingo (24); Um avião proveniente de Miami com 50 toneladas de comida e medicamentos aterrissou em Curaçao; O presidente Nicolás Maduro ordenou fechamento total da fronteira terrestre com o Brasil, e disse que avalia fazer o mesmo com a fronteira com a Colômbia; O bilionário britânico Richard Branson organizou o concerto "Venezuela Aid Live" em Cúcuta em 22 de fevereiro para arrecadar US$ 100 milhões. Em contrapartida, o regime de Maduro convocou outras apresentações para sexta-feira, sábado e domingo denominado 'Hands off Venezuela'; Os shows ocorrerão nos dois extremos da ponte binacional Tienditas, apenas a 300 metros de distância, bloqueado por militares venezuelanos obstáculos para impedir a passagem de ajuda pela via terrestre; O show montado por Branson contará com artistas internacionais como os espanhóis Alejandro Sanz e Miguel Bosé, os colombianos Carlos Vives e Juanes, o porto-riquenho Luis Fonsi, o dominicano Juan Luis Guerra e os venezuelanos José Luis Rodríguez ("El Puma") e Nacho; O governo de Maduro fará jornadas de assistência médica gratuitas na fronteira e a distribuição de 20 mil caixas de alimentos a habitantes de Cúcuta; No sábado, chavistas e opositores farão manifestações em todos os estados; Mais de 600 toneladas de ajuda se somam aos cerca de US$ 150 milhões. O que se desconhece Com ponte bloqueada, vários caminhões com alimentos e medicamentos foram enviados para um centro de coleta em Cúcuta, Colômbia Raul Arboleda / AFP Não se sabe em que ponto específico da fronteira com a Colômbia Guaidó (proibido de deixar o país) irá para liderar a operação de entrada de ajuda humanitária; A presença de Maduro na fronteira tampouco foi confirmada; O método para a entrada da ajuda é desconhecido. Guaidó disse que chegará "por terra e por mar", mas Tienditas está bloqueado e os portos também. A possibilidade de que parte da ajuda seja introduzida por caminhos ilegais não está descartada; Não se sabe se serão incluídos centros de armazenamento no estado Zulia, que compartilha fronteira com o departamento da Guajira colombiana; O mecanismo para o deslocamento de voluntários não foi anunciado; Não está claro se a Força Armada venezuelana, leal a Maduro, impedirá ou poderá controlar a entrada de doações através das porosas fronteiras colombo-venezuelana; Ainda não se sabe quem participará do show chavista. Initial plugin text

  • Edifício Mônaco tem oito andares e foi construído nos anos 80 em El Poblado, um dos bairros mais exclusivos de Medellín. Local será transformado em um parque de 5 mil m² dedicado às vítimas do tráfico de drogas. Edifício Monaco, que foi de Pablo Escobar, será demolido Reprodução/Google Street View O edifício Mônaco, ex-fortaleza do falecido chefe do narcotráfico Pablo Escobar em Medellín, será demolido com explosivos nesta sexta-feira (22) pelo prefeito da cidade colombiana para construir um parque dedicado às vítimas do tráfico de drogas. "O edifício Mônaco será derrubado. Não se trata de apagar a história, mas sim de começar a contá-la em honra a nossos verdadeiros heróis: as vítimas", indicou a prefeitura de Medellín em sua conta de Twitter. Os oito andares do ostentoso bunker que certa vez protegeu o chefe do cartel de Medellín e sua família cairão às 11 horas (13 horas em Brasília), em um evento aberto ao público. No local, quase em ruínas após ter sido um monumento ao luxo e à extravagância, se construirá um espaço de 5.000 metros quadrados em homenagem aos milhares de cidadãos que perderam a vida durante a época mais crua do chamado "narcoterrorismo", como se conhece a guerra sem trégua dos cartéis contra o Estado nos anos 80 e 90. A iniciativa é parte de uma campanha da prefeitura da cidade de Medellín, que Escobar converteu em seu teatro de operações, para contar outra parte da história nem sempre registrada pelas séries de televisão ou pelos percursos turísticos nos quais o edifício é parada obrigatória. Todos os dias, grupos de curiosos visitam o fortim branco que o narcotraficante construiu nos anos 80 em El Poblado, um dos bairros mais exclusivos de Medellín. Embora hoje esteja desocupado, durante anos foi utilizado por diversas entidades, entre elas a polícia. Escobar foi um dos homens mais ricos do mundo, segundo a revista Forbes, após fundar um império do crime e do terror. Foi morto pela polícia em 1993. Memória em disputa Como parte da iniciativa do governo, desde 2018 estrangeiros e locais que participam nos "narcotours" se deparam com um edifício coberto de cartazes que lembram esses outros "protagonistas" que a prefeitura se empenhou em ressaltar: policiais, jornalistas, civis ou juízes assassinados por ordem do capo. "Respeitem nossa dor, honrem nossas vítimas (1983-1994). 46.612 vidas a menos", diz um dos cartazes que cairão junto com a estrutura 25 anos depois da morte do capo. Pablo Escobar foi responsável por milhares de assassinatos, e acumulou fortuna bilionária Registro Nacional da Colômbia/Polícia Nacional Colombiana O Mônaco foi também alvo do primeiro carro-bomba detonado na Colômbia. Em 1988, o cartel de Cali atacou a estrutura, com Escobar e sua família dentro. A explosão afetou o ouvido da filha do barão da droga e provocou uma guerra sangrenta entre cartéis. O atentado também feriu o ego do narcotraficante, pois os explosivos afetaram suas valiosas coleções de carros e arte. Embora um setor da sociedade se oponha à derrubada de uma parte da história, o prefeito de Medellín, Federico Gutiérrez, insiste em que o relato do ocorrido se transforme em favor das vítimas. "A demolição é um passo, mas talvez a reivindicação e a voz das vítimas sejam o que mais pode espantar o fantasma" de Escobar, explica Alonso Salazar, autor do livro "Pablo Escobar: Ascensão e Queda do Grande Traficante de Drogas" e ex-prefeito de Medellín. Como parte dessa luta para apagar as marcas do capo, no fim de janeiro foi retirada da Fazenda Nápoles a réplica da avioneta na qual transportou seu primeiro carregamento de cocaína aos Estados Unidos. Situado no noroeste do país, o extenso terreno funciona hoje como um parque de diversões. Permanecem em pé, no entanto, as 443 casas que Escobar construiu para as famílias que viviam em um lixão de Medellín. Gestos como esse lhe renderam o apelido de "Robin Hood colombiano". Na época, muitos desconheciam a origem de seus recursos. Apesar da queda de Escobar e de outros grandes capos, a Colômbia segue sendo o principal produtor de cocaína, e os Estados Unidos o maior consumidor dessa droga.